04/08/2007

 

 

 

Lesões em crianças relativas ao esporte.

 

 

                                       

 

A realização de uma competição de alto nível, como foram os Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho, é sempre um estímulo para o surgimento de novos talentos esportivos. Motivadas pelos resultados dos brasileiros que brilharam no pódio e influenciadas pelos pais que sonham ver seu filho campeão, muitas crianças começam a praticar repentinamente vários esportes de uma só vez, passando a se dedicar horas do dia a essa atividade.

 

A atividade física é muito importante para a promoção da saúde, todos sabem. Porém, é preciso ter cautela para não expor as crianças a lesões precoces. O alerta é do ortopedista José Olavo Moretzsohn de Castro, integrante do Grupo de Estudo do Joelho de Campinas e especialista em cirurgia do joelho. “A motivação das crianças e dos pais às vezes causa danos aos pequeninos que estão crescendo e têm os ossos diferentes dos adultos, pois o crescimento ocorre pelas regiões distais dos ossos, ou seja, pelas pontas, onde se inserem tendões e cápsulas”, afirma.

 

 

Segundo o médico, o trauma freqüente durante o esporte pode abalar o crescimento ósseo da criança e causar inflamações e doenças específicas da idade, como osteocondrites e epifisites.Ou seja inflamações das regiões de crescimento, causando dor e incapacidade funcional da articulação afetada.

 

Ele salienta que o problema é mais acentuado nos adolescentes, em função de sua estrutura mio-ósseo-articular estar em desenvolvimento. “Algumas lesões na adolescência podem ser sérias e devemos orientar pais e técnicos sobre esses riscos”, afirma. “Por terem os ossos em fase de crescimento, as crianças podem desenvolver lesões por sobrecarga. Isso acontece porque há um desequilíbrio entre a força muscular e a resistência dos ossos”, explica. De acordo com ele, esse desequilíbrio pode gerar distúrbios no crescimento dos ossos e até inflamação, como a tendinite, que causa dor quando a criança pratica esporte.

 

 

Para o ortopedista, é importante observar não só a idade, mas o desenvolvimento da criança, o peso e altura para que ela possa iniciar-se numa determinada atividade física, lembrando que entre os 5 e 7 anos sómente são indicadas brincadeiras e lazer, sem cobranças sobre aprendizado e resultado.

 

A partir dos 7 anos, a criança pode matricular-se numa escola, como de natação, capoeira, danças e ginástica, mas buscando reforçar as habilidades individuais. “É recomendável que as crianças pratiquem vários esportes para aprender os fundamentos de cada um e que, depois, escolham aquele que mais gostem”, diz.

 

As competições são indicadas a partir dos 13 anos. No entanto, se a criança demonstrar interesse em competir, deve ser incentivada, mas dando a atenção necessária para a prevenção de lesões físicas e psicológicas.

 

Para garantir a diversão da garotada, é importante procurar um ortopedista especializado para fazer uma avaliação adequada. “O esporte contribui para a sociabilidade, a formação de caráter, o trabalho em equipe, o desenvolvimento de responsabilidades. Ainda que não seja um atleta profissional no futuro, o esporte traz muitos benefícios à vida da criança, tanto físicos, quanto psicológicos e sociais”, finaliza.